24 agosto 2013

Leveza Eterna

Queria te encontrar hoje. Queria perguntar como você tem passado. E queria aquele nosso abraço cheio de afeto e cuidado. Queria te convidar para ir até minha casa e então sentaríamos na varanda e teríamos aqueles nossos papos intermináveis. Olharíamos os apartamentos dos vizinhos e ficaríamos em silêncio. Aquele silêncio bom e necessário que tantas e tantas vezes compartilhamos. E aquele olhar doce lançado um para o outro. Você me ouviria falando bobagem e começaria a rir. Adorava fazer você rir. Seu rosto fino reluzia uma luz bonita, sua boca pequena se abria toda e seus olhos tortos fechavam de forma graciosa. Eu sempre gostei da assimetria do seu rosto, da sua imperfeição. E era essa imperfeição toda que fazia de você perfeita. Era o fato de você ser torta como eu e como a vida que me encantava cada vez que olhava para você. E você sabe a cara de bobo que eu fazia sempre... Hoje fiz uma batida de maracujá, eu sei que você não gosta de álcool mas está tão docinha que acho que você ia querer. Não, a intenção não seria te deixar bêbada apesar da ideia de você bêbada me parecer engraçada. Rio sozinho imaginando a cena. Acho que você ficaria bastante agitada e falante e logo depois bateria um sono que faria você capotar no sofá da sala. Com certeza eu morreria de rir e você grogue de sono ficaria me perguntando do que eu estaria rindo. Te pegaria no colo e te levaria para cama. Daria um beijo na sua testa e você sorriria mesmo dormindo. Te cobriria com uma coberta macia. Principalmente seus pés que provavelmente estariam gelados. Tem feito muito frio por aqui. Uma corrente de ar insiste em se formar entre o quarto e a sala. Te deixaria no sossego do seu sono tranquilo, daquele seu ronronar típico e voltaria para a varanda. Abriria uma garrafa de vinho, pegaria meu caderno de anotações e começaria a escrever. Sempre gostei de escrever enquanto você dormia. Saem coisas grandiosas, lindos poemas quando você está por perto. E é também quando você está por perto que sinto uma tranquilidade assombrosa, uma paz como as brisas de primavera e uma leveza cheia do desejo pelo eterno.
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