15 maio 2013

Cotidiano Lúdico

Ele não queria que fosse um daqueles romances de estação. Pela primeira vez via-se pensando no eterno, na vida toda, nas rugas sendo cultivadas juntas, na delicadeza de um caminhar longo, tranquilo e profundo. Sentia medo e também uma necessidade absurda. E quando a encontrava na portaria do prédio, ou quando corria logo cedo até a Praça Paris para apenas um beijo de bom dia meio à senhoras praticando Tai Chi Chuan e ao sol ameno de outono rabiscando a paisagem, sentia uma alegria imensurável. Era como se os anos todos de caminhada, desde a tenra idade, todas as histórias e aventuras fossem apenas a vida lapidando-o para então encontrá-la. E foi bem no outono, naquela manhã de abril, os olhos cruzaram-se num sorriso tímido, logo depois as bocas entrelaçaram-se num desejo desconcertante. E houve o encaixe perfeito do corpo, das pernas e das mãos. E a sensação? Duas peças que faltavam no quebra-cabeça, uma complementar a outra formando a paisagem lúdica de um cotidiano que viria, que veio e que agora é.
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