22 julho 2012

E viveram felizes para sempre

E viveram felizes para sempre, no inverno passado, no outono de dias frios e céu azul, quando conheceram-se no hall do hotel, aqueles minutos eternos de abraço, no passeio de sábado frio, no verão naquele primeiro mergulho no mar, você no biquíni fio-dental azul petróleo, ele fotografando de longe. Sim, ali vocês viveram felizes para sempre. É onde está o melhor de vocês dois, a vontade de ser um só... Mas todo amor, mais cedo ou mais tarde, configura-se – e logo depois rui - em um pedaço de engano. Hoje andou pelo Centro, foi ao Teatro Municipal e rodou pela Cinelândia. Estava escuro, lua nova no céu. Poucas pessoas na cidade, quase nenhum sorriso. O clima era agradável. Queria o silêncio, apenas ele. Aquele da existência quando uma voz que não a sua – ele a chama de Deus – manifesta-se e nos aconselha e nos acalenta. Ela – a voz – falou de você nessa tarde. Coisas que ele já sabia, algumas bonitas, outras nem tanto. Estava sentado naqueles bancos verdes da praça e no bar em frente pessoas torciam para o Flamengo. O futebol é como a praia, une pobres, ricos, miseráveis. Gostava do Romário quando eu era mais novo, ainda gosta na verdade. Há coisas que queria compartilhar com você, mas há tempo para todas elas como diz o livro de Eclesiastes da Bíblia. Ultimamente tem andando com o Salmo 143 na carteira. Sempre recorreu há algum tipo de amuleto e durante muito tempo o dele foi você, seu trevo de quatro folhas, sua sorte, agora é um pedaço de papel com uma das poesias da Bíblia que mais gosta. Proteção é o que pede nesse começo de noite. Para ele, para você, para o Flamengo e seu adversário, para o Romário, o mendigo, o rico, para o pobre, o religioso. Proteção, é disso que todos precisam meio a maluquice do viver contemporâneo. Carrega um rasgo no peito no caminhar de volta para casa, ainda não cicatrizou, mas continua amando-te, como disse que eternamente faria. E então, viveram felizes para sempre.
Comentários
1 Comentários

Um comentário: