13 março 2012

Uma historinha qualquer


Errou o passo da dança. Tropeçou. Depois chorou olhando para o teto. Tédio na parede branca e nas lágrimas azuis, desesperança. Mas esboçou sorriso. Riu de si mesmo. Sorriso amarelo. E olha que não fumava e nem bebia café. Pediu cafuné a qualquer fulana que nem lembra o nome. Deita na cama e tenta compartilhar o sono. Noutro dia, empada, chope, poesia no clima ensolarado. Doce de ambrosia para tirar o gosto amargo da boca. É o figado não filtrando nada. E a noite a chuva grossa ensopa sua roupa importada. E o tênis de grife fica todo cheio de lama. E lembra da dança. O ensaio é sempre mais leve que o espetáculo. Não suportou a carga e tropeçou... Pedala para esquecer dos fracassos. Mas não há fracasso, há escolhas. Mesmo assim pedala. Cada vez mais rápido. Cada vez mais longe. Pão de queijo o lembra momentos de descontração. Ela. Somos seres mutantes tentando descobrir o que temos de especial. Escreve para os antepassados. Rasga a receita dos remédios tarja-preta. Rasga as bulas também. Surto. Vista turva. Sonhos embaralhados. Realidade contaminada pela pintura mais íntima do emocional. E mesmo assim não perde seu fogo. Pau duro para quem quiser. A enfermeira de bigode disse sim. Carência ou paixão? Ninguém sabe a diferença. O mundo aprisiona numa realidade turva, oca, opaca. Felicidade é doença? Felicidade também sara? Ouviu alguém perguntando no corredor. Quem é o louco que experimenta a felicidade sabendo que o homem cava a própria cova e re-encena o inferno na Terra. Apocalipse Now! Enquanto os Doors tocam The End no juizo final alguns continuam sorrindo para as fogueiras que os queimarão.

Comentários
3 Comentários

3 comentários:

  1. você é de uma delicadeza, sem fim!

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  2. Olá Zuza...
    Saudades de passar por aqui.

    Beijos

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  3. ahhhhhhhhhh q coisa mais linda zz......quanta poesia em um homem só!

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