15 dezembro 2011

Taça de Cristal

São tempos estranhos esses. Cadê todos vocês? Que caminho pegaremos agora? Dos meus antigos amigos já nem tenho notícias mais. Debaixo daquelas lonas furadas ouvindo nossas guitarras distorcidas e buscando aquele amor inalcançável. Alcancei bem mais do que poderia e bem menos do que sonhava. Um copo de vodca pra você que é de vodca. Eu quero vinho tinto, Merlot, quero seu quadril balançando enquanto olho de longe. Quero a madrugada fria e o colorido decadente das ruas mal iluminas do Rio ou de qualquer outra metrópole do mundo. E quando falo de amor não estou falando de justiça. “Amor só existe na preguiça”, ele me disse, aquele ócio criativo que faz a gente inventar qualquer coisa para nos distrair... E quero dedicar todos os meus pensamos a ela e seu balé improvisado, e a sua beleza que encanta o mais discreto tarado. E o mundo continua rodando nessa velocidade relativa, e tudo na vida continua sendo passageiro, a tristeza na locomotiva à vapor e a felicidade no avião super – sônico. Sonhos! Sonhei que os nossos eram taças de cristais, daquelas caríssimas, mas por descuido deixamos a maioria cair no chão. Despedaçou. Idealizamos demais. Era melhor que nossos sonhos fossem copos de requeijão barato, ou copos de plástico que nunca quebram, daqueles de todas as cores, para colorir muito mais a vida do que taça de cristal de quatrocentos e cinquenta reais...

Comentários
1 Comentários

Um comentário:

  1. ahhhh esse texto é lindo!e as fotos são melhores ainda, rsrsrsrsrrs

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